IA, biometria e personalização: Phocuswright divulga previsões sobre viagens em 2026
Última Atualização: 08/01/2026Com a chegada de 2026, analistas da Phocuswright divulgaram suas previsões para o setor de viagens, indicando um ano marcado pelo avanço de inteligência artificial agentiva, biometria, identidade digital, blockchain, novos modelos de precificação e uma busca cada vez maior por experiências personalizadas.
De acordo com os especialistas, a tecnologia deixará de ser apenas um suporte operacional para se tornar parte central da jornada do viajante, impactando desde o planejamento e a reserva até a experiência no destino.
Inteligência artificial avança, mas reforça o fator humano
Para Fabián González, analista de mercado da Phocuswright na Espanha, a presença crescente da IA no turismo não eliminará o papel humano — pelo contrário.
“A integração inexorável da IA em todas as etapas da viagem irá, paradoxalmente, aguçar o foco no que realmente importa — o elemento humano. Da inspiração à reserva e ao longo de toda a experiência, a IA vai amplificar, e não substituir, o valor da conexão humana, que nunca deveria ter sido negligenciado.”
O analista também destaca o avanço da biometria aplicada diretamente à experiência de viagem, indo além do uso em smartphones e pagamentos digitais.
“O próximo passo é usar a biometria para elevar a própria jornada do viajante, desde o controle de passaportes nos aeroportos até o check-in em hotéis. Os viajantes estarão dispostos a utilizar seus dados biométricos se, além de garantir anonimato e rastreabilidade, isso resultar em uma experiência visivelmente mais fluida e integrada.”
Oriente Médio lidera adoção de tecnologias no turismo
No Oriente Médio, a transformação digital já está em estágio avançado. Segundo Shadi Kaddoura, analista sênior da Phocuswright na região, 60% dos viajantes dos Emirados Árabes Unidos confiam na IA para planejar todos os aspectos de uma viagem, percentual superior ao observado em outros mercados.
A região aposta em IA generativa, biometria sem fricção em aeroportos — como o corredor “Unlimited Smart Travel”, em Dubai — e até tokenização via blockchain, com programas de recompensas baseados em ativos digitais.
“O Oriente Médio vai se consolidar ainda mais como um polo de turismo ultraluxuoso e orientado por experiências.”
IA agentiva deve redefinir planejamento e reservas
Para Norm Rose, ex-analista sênior de tecnologia e mercados corporativos da Phocuswright, a IA agentiva terá um impacto estrutural no setor.
“A era agentiva será tão significativa quanto a mudança provocada pela própria internet.”
Segundo ele, comandos de voz ou simples registros em agendas digitais poderão iniciar processos completos de busca e reserva de viagens, mas o setor ainda precisa enfrentar desafios relacionados à governança de dados e à integração entre sistemas.
“Haverá vencedores e perdedores, definidos por quão seriamente os players atuais encaram essas tendências e pelo nível de investimento que farão para operar no futuro da IA generativa e agentiva.”
Personalização substitui viagens padronizadas
A personalização também aparece como eixo central das previsões. Para Bing Liu, diretor de pesquisas e analytics da Phocuswright, os viajantes estão abandonando roteiros baseados em listas de atrações.
“Em vez de simplesmente visitar pontos turísticos famosos, as pessoas buscarão itinerários personalizados que reflitam suas paixões, como gastronomia, bem-estar, cultura, natureza ou experiências locais únicas.”
Segundo ele, a tecnologia baseada em IA permitirá recomendações hiperpersonalizadas, tornando as viagens mais intencionais e emocionalmente significativas.
“No geral, a personalização vai transformar a viagem em algo mais intencional e emocionalmente marcante.”
Identidade digital e confiança ganham protagonismo
Robert Cole, analista sênior de hospedagem e lazer, afirma que a identidade digital verificável será essencial para lidar com riscos, conformidade regulatória e personalização.
“A identidade digital se tornará fundamental para o setor de viagens lidar com risco, conformidade e personalização.”
Ele destaca que empresas de turismo, OTAs, gestores de viagens e provedores de pagamento passarão a exigir provas criptograficamente verificáveis de identidade, reduzindo fraudes e acelerando o comércio digital.
Novos mercados, infraestrutura e modelos de preço
Outras tendências destacadas pelos analistas incluem:
- Índia e Coreia do Sul emergindo como grandes emissores de turistas na Ásia;
- Expansão do turismo internacional para destinos secundários na China;
- Avanço de projetos de trens de alta velocidade no Sudeste Asiático;
- Evolução da precificação para modelos contextuais em tempo real, baseados em clima, eventos e tendências sociais;
- Crescimento do uso estratégico de pontos, milhas e programas de fidelidade diante de restrições econômicas.
Para Lorraine Sileo, fundadora da Phocuswright Research, 2026 marcará uma mudança de postura no setor:
“Haverá menos discurso sobre a IA substituindo tudo e mais discussões sobre parcerias e integrações que combinem sistemas legados, que ainda dominam, com plataformas focadas em IA.”
Ela também prevê um ambiente de reservas cada vez mais fragmentado, impulsionado por plataformas financeiras, marcas próprias e até redes sociais.

