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IA muda o formato das reservas hoteleiras e pode favorecer fornecedores

Última Atualização: 16/12/2025
IA muda o formato das reservas hoteleiras e pode favorecer fornecedores
  • Em debate realizado na Phocuswright Conference, especialistas apontam que a tecnologia pode reduzir a dependência das OTAs, fortalecer o contato direto entre fornecedores e viajantes e redefinir o futuro da distribuição hoteleira;
  • Especialistas citam como a inteligência artificial generativa e agentic está remodelando o processo de busca e reserva de hotéis, criando novas “portas de entrada” no ecossistema digital de viagens.

A evolução da inteligência artificial generativa e agentic deve provocar uma mudança estrutural na forma como os viajantes encontram e reservam hotéis, com potencial para alterar o equilíbrio de forças na distribuição hoteleira global. O tema foi debatido durante a Phocuswright Conference, em San Diego (EUA), por executivos que acompanharam de perto a consolidação das grandes plataformas de viagens online.

Participaram da discussão Richard Holden, ex-gerente geral do Google Travel; Stephen Kaufer, fundador e ex-CEO do Tripadvisor; e Sanjay Vakil, CEO e cofundador da DirectBooker. O painel analisou como a IA está transformando o chamado “front door” das reservas de hotéis: o primeiro ponto de contato entre consumidores e fornecedores no ambiente digital.

Segundo Holden, a inteligência artificial deve reconfigurar o poder e a posição dos agregadores de viagens, criando novas oportunidades para hotéis e marcas se conectarem diretamente com os viajantes.
“Eu realmente acredito que novas portas de entrada vão ser criadas aqui. Do ponto de vista dos fornecedores, isso é uma oportunidade de mudar a dinâmica que existe há cerca de 20 anos”, afirmou.

O executivo destacou que, historicamente, os fornecedores foram superados pelas OTAs (online travel agencies) na criação e no controle dos pontos de entrada do consumidor. Com a chegada da IA, no entanto, surge uma nova chance de reaproximação direta entre hotéis e clientes, reduzindo a dependência de intermediários.

Vakil reforçou que um dos principais motores dessa mudança são as interfaces conversacionais baseadas em IA, como chatbots avançados, que concentram toda a jornada de pesquisa em um único ambiente, a exemplo de plataformas como o ChatGPT.

“O que vemos hoje no Google — e a gente costumava falar muito sobre isso — é que as pessoas visitavam cerca de 40 sites diferentes antes de finalmente reservar um hotel. Elas tinham dúvidas e precisavam que essas perguntas fossem respondidas”, disse Vakil.

“Com a interface conversacional, é possível ajudar o usuário a encontrar essas informações em um único fluxo, sem precisar se perguntar em qual aba aquela informação estava.”

De acordo com Vakil, essa mudança faz parte de uma “transformação profunda” impulsionada pela IA generativa e agentic, que também tende a valorizar conteúdos vindos diretamente dos fornecedores, em vez de intermediários.

“Os intermediários trabalharam muito para criar um grande conjunto de dados que é eficiente para navegar e encontrar informações, mas esse conteúdo é bastante superficial”, afirmou.

Apesar do cenário promissor para fornecedores, Kaufer fez um alerta sobre a dificuldade de deslocar o poder de agregação das OTAs, especialmente porque muitas dessas empresas já estão integrando IA às suas operações.

“Eles são naturalmente os primeiros a entrar, mas a questão é: existe, especialmente no caso da DirectBooker, a capacidade de entregar aos motores de IA exatamente o que eles querem? Ou seja, a melhor disponibilidade instantânea, inventário, todas as informações adicionais e talvez tarifas extras que as OTAs não oferecem”, disse Kaufer.

Além do impacto da IA na distribuição hoteleira, a conversa também abordou temas como financiamento de startups, experiências anteriores dos executivos, o risco de uma bolha de inteligência artificial e os próximos desdobramentos da tecnologia no setor de viagens.

O debate completo foi moderado por Chris Hemmeter, da Thayer Investment Partners, e está disponível em vídeo.

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