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Publicidade chega ao ChatGPT e pode mudar o marketing de viagens; entenda

Última Atualização: 29/01/2026
  • OpenAI inicia testes de anúncios no ChatGPT, segundo reportagem da Skift
  • Publicidade será exibida dentro das conversas, com foco em intenção do usuário
  • Viagens e turismo despontam como setores estratégicos para a plataforma
  • OpenAI afirma que não venderá dados pessoais nem histórico de conversas
  • Especialistas veem impacto direto na descoberta e decisão de viagens

A OpenAI anunciou que começará a testar anúncios no ChatGPT para usuários adultos logados nos Estados Unidos, marcando uma mudança relevante em seu modelo de monetização. A informação foi divulgada em reportagem da Skift, especializada em tecnologia e mercado de viagens.

Segundo a publicação, a iniciativa atingirá inicialmente os planos ChatGPT Free e o recém-lançado ChatGPT Go, enquanto as versões Plus, Pro, Business e Enterprise permanecerão sem publicidade.

Em comunicado, a OpenAI afirmou: “Nas próximas semanas, planejamos começar a testar anúncios nos níveis Free e Go do ChatGPT. Estamos compartilhando nossos princípios desde cedo sobre como abordaremos os anúncios — guiados por colocar a confiança do usuário e a transparência em primeiro lugar, enquanto trabalhamos para tornar a IA acessível a todos.”

De acordo com a empresa, os anúncios serão exibidos na parte inferior das respostas, apenas quando produtos ou serviços forem relevantes ao tema da conversa, e aparecerão claramente identificados como conteúdo patrocinado, separados das respostas geradas pela inteligência artificial.

Ainda segundo a Skift, a OpenAI não detalhou como os anunciantes poderão adquirir esses espaços, se por modelo self-service, gerenciado ou por leilão, mas reforçou que não venderá dados pessoais nem históricos específicos de conversas. Os anúncios serão restritos a usuários adultos nos EUA e não aparecerão em temas sensíveis, como saúde, saúde mental ou política.

Embora viagens e turismo não tenham sido listados entre os temas restritos, um dos exemplos apresentados pela OpenAI indica o potencial do setor. A empresa exibiu um mockup com anúncio de hospedagem integrado a uma conversa sobre planejamento de viagem para Santa Fe, sugerindo que o segmento deve ser impactado diretamente.

Impacto no setor de viagens

Para a indústria de viagens, a introdução de anúncios no ChatGPT representa a criação de um novo canal de distribuição baseado em intenção. Conforme destaca a Skift, quando um usuário solicita recomendações de hotéis em destinos como Londres ou Santa Fe, links patrocinados de hotéis, OTAs ou plataformas de reserva podem surgir no momento de maior propensão à conversão.

A expansão do plano ChatGPT Go, que será disponibilizado globalmente, amplia esse cenário. O plano oferece acesso ao modelo GPT-5.2 Instant, além de dez vezes mais mensagens, uploads de arquivos, geração de imagens e memória mais longa em comparação à versão gratuita. Com mais contexto sobre o usuário, cresce o potencial de segmentação publicitária, ainda que dentro de limites de privacidade.

Especialistas ouvidos pela Skift apontam preocupações sobre a linha tênue entre respostas neutras e influência comercial, em um modelo que lembra os anúncios integrados a ferramentas de busca baseadas em IA, formato que já enfrenta questionamentos regulatórios em outros mercados.

A OpenAI também estuda formatos mais interativos, permitindo que usuários façam perguntas diretamente dentro dos anúncios, o que pode aproximar o ChatGPT do papel exercido historicamente pelo Google na descoberta inicial de viagens.

Com a publicidade integrada às conversas, o controle da intenção de viagem passa a fazer parte da própria interface, alterando a forma como destinos, hotéis e serviços turísticos se conectam aos consumidores.

A decisão representa uma mudança de postura do CEO Sam Altman, que no passado demonstrou ceticismo em relação à publicidade como modelo de negócios, ao afirmar que a ideia de “ads-plus-AI” era “unicamente perturbadora”.

Ainda assim, como lembra a Skift, Altman já havia sinalizado que a expansão da infraestrutura de IA — incluindo chips e data centers — pode exigir investimentos de trilhões de dólares, o que ajuda a explicar a busca por novas frentes de monetização.

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